sábado, 19 de novembro de 2011

Simbolismo no Brasil e em Portugal


CARACTERÍSTICAS DO SIMBOLISMO 
a) Misticismo e espiritualismo – A fuga da realidade leva o poeta simbolista ao mundo espiritual. É uma viagem ao mundo invisível e impalpável do ser humano. Uso de vocabulário litúrgico: antífona, missal, ladainha, hinos, breviários, turíbulos, aras, incensos. 

b) Falta de clareza – Os poetas achavam que era mais importante sugerir elementos da realidade, sem delineá-los totalmente. A palavra é empregada para ter valor sonoro, não importando muito o significado. 

c) Subjetivismo – A valorização do “eu” e da “irrealidade”, negada pelos parnasianos, volta a ter importância. 

d) Musicalidade – Para valorizar os aspectos sonoros das palavras, os poetas não se contentam apenas com a rima. Lançam mão de outros recursos fonéticos tais como: 

Aliteração – Repetição seqüencial de sons consonantais. A seqüência de palavras com sons parecidos faz que o leitor menospreze o sentido das palavras para absorver-lhes a sonoridade. É o que ocorre nos versos seguintes, de Cruz e Sousa: 

Vozes veladas, veludosas vozes, 

Volúpia dos violões, vozes veladas, 
Vagam nos velhos vórtices velozes, 
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. 

(Violões que Choram) 

Assonância – É a semelhança de sons entre vogais de palavras de um poema. 

e) Sinestesia – Os poetas, tentando ir além dos significados usuais das palavras, terminam atribuindo qualidade às sensações. As construções parecem absurdas e só ganham sentido dentro de um contexto poético. Vejamos algumas construções sinestésicas: som vermelho, dor amarela, doçura quente, silêncio côncavo. 

f) Maiúsculas no meio do verso – Os poetas tentam destacar palavras grafando-as com letra maiúscula. 

g) Cor branca – Principalmente Cruz e Sousa tinha preferência por brancuras e transparências. 
De um lado, encontram-se aspectos noturnos, herdados do Romantismo como por exemplo o culto da noite, certo satanismo, 
pessimismo, angústia morte etc. Já de outro, percebe-se uma certa preocupação formal, como o gosto pelo soneto, o uso de vocábulos refinados, a força das imagens etc. Em relação a sua obra, pode-se dizer ainda que ela tem um caráter evolutivo, pois trata de temas até certo ponto pessoais como por exemplo o sofrimento do negro e evolui para a angústia do ser humano.


Simbolismo em Portugual
  
Em 1915, Portugal entra oficialmente no modernismo com o lançamento da revista “Orpheu”. Antes, em 1890, o país iniciou forte vivência literária no simbolismo que iniciou com a publicação do livro de poemas “Oaristos” (diálogo amoroso), de Eugênio Castro.
Portugal passou por crise econômica entre os anos de 1890 e 1891, descrédito em sua monarquia e assim como ocorrera com o Simbolismo brasileiro, a literatua simbolista portuguesa foi influenciada pela França, berço do Simbolismo. Nesta época surge o grupo “Os Vencidos da Vida” formado por eça de queirós, Guerra Junqueira e outros escritores que tinham uma visão depressiva e melancólica da realidade.
Eugênio de Castro, autor da “Oaristos”, nasceu em Coimbra, em 1869. Viveu em Paris, onde absorveu a tendência simbolista, era formado em letras e exerceu o magistério, morreu em 1944.
Antônio Nobre nasceu na cidade do Porto, em 1867, sua única obra publicada em vida foi a obra “Só”, em 1892. Assim como Eugênio de Castro, Também viveu em Paris, e trabalhou como diplomata, falecendo depois de retornar a Portugal, em 1900.
Camilo Pessanha é o terceiro autor mais destacado do Simbolismo português, nasceu na cidade de Coimbra em 1867, onde formou-se em direito. O mais curioso em sua biografia é o fato de ter trabalhado em Macau, colônia portuguesa na China, onde exerceu a advocacia e o magistério, consumia ópio e faleceu de tuberculose em 1926.


Simbolismo no Brasil
O início da década de 1890, no Rio de Janeiro, um grupo de jovens, insatisfeitos com a extrema objetividade e materialismo da corrente literária dominante (Realismo / Naturalismo / Parnasianismo), resolve divulgar as novas idéias estéticas vindas da França. Eram conhecidos como os decadentistas. Esse grupo formado, principalmente, por Oscarexcentricidades da nova arte chamada Padaria Espiritual.
O Simbolismo, no Brasil, representa uma das épocas mais importantes de nossa história literária e cultural. Este movimento penetrou em nosso país, por intermédio de Medeiros e Albuquerque, que, desde 1891, recebia livros dos decadentistas franceses. Em 1893, Cruz e Sousa publica Missal e Broquéis, obras que definem a história do Simbolismo brasileiro. 



João Cruz e Sousa

 João da Cruz e Souza nasceu em 21 de novembro de 1861 em Desterro, hoje Florinaopolis, Santa Catarina.
  Seu pai e sua mãe, negros puros, eram escravos alforriados pelo marechal Guilherme Xavier de Sousa. o que tudo indica o marechal gostava muito dessa família pois o menino João da Cruz recebeu, além de educação refinada, adquirida no Liceu Provincial de Santa Catarina, o sobre-nome Sousa.
Apesar de toda essa proteção, Cruz e Souza sofreu muito com o preconceito racial. Depois de dirigir um jornal abolicionista, foi impedido de deixar sua terra natal por motivos de preconceito racial.
Algum tempo depois é nomeado promotor público, porém, é impedido de assumir o cargo, novamente por causa do preconceito. Ao transferir-se para o Rio, sobreviveu trabalhando em pequenos empregos e continuou sendo vítima do preconceito.
Em 1893 casa-se com Gravita Rosa Gonçalves, que também era negra e que mais tarde enlouqueceu. O casal teve quatro filhos e todos faleceram prematuramente, o que teve vida mais longa morreu quando tinha apenas 17 anos.
Cruz e Souza morreu em 19 de março de 1898 na cidade mineira de Sítio, vítima de tuberculose. Suas únicas obras publicadas em vida foram Missal e Broquéis.
Cruz e Souza é, sem sombra de dúvidas, o mais importante poeta Simbolista brasileiro, chegando a ser considerado também um dos maiores representantes dessa escola no mundo. Muitos críticos chegam a afirmar que se não fosse a sua presença, a estética Simbolista não teria existido no Brasil. Sua obra apresenta diversidade e riqueza.
 
Cristais


Mais claro e fino do que as finas pratas
o som da tua voz deliciava…
Na dolência velada das sonatas
como um perfume a tudo perfumava.

Era um som feito luz, eram volatas
em lânguida espiral que iluminava,
brancas sonoridades de cascatas…
Tanta harmonia melancolizava.

Filtros sutis de melodias, de ondas
de cantos volutuosos como rondas
de silfos leves, sensuais, lascivos…

Como que anseios invisíveis, mudos,
da brancura das sedas e veludos,
das virgindades, dos pudores vivos


Alphonsus de Guimaraens
 Nasceu 1870 - Ouro Preto MG - 24 de julho , Formou-se bacharel em Direito, em 1894, em Ouro Preto. Na época já colaborava nos jornais Diário Mercantil, Em 1902 publicou Kiriale, sob o pseudônimo de Alphonsus de Vimaraens. Sua Obra Completa seria publicada em 1960. 1893/1894 - Ouro Preto MG - Bacharel em Direito na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais.




Terceira Dor



VI
É Sião que dorme ao luar. Vozes diletas
Modulam salmos de visões contritas...
E a sombra sacrossanta dos Profetas
Melancoliza o canto dos levitas.


As torres brancas, terminando em setas,
Onde velam, nas noites infinitas,
Erguem ao Céu as cúpulas benditas.


As virgens de Israel as negras comas
Aromalizam com os ungüentos brancos
Dos nigromantes de mortais aromas...


Jerusalém, em meio às Doze Portas,
Dorme: e o luar que lhe vem beijar os flancos
Evoca ruínas de cidades mortas.




Augusto dos Anjos




Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no engenho "Pau d'Arco", em Paraíba do Norte, a 20 de abril de 1884, e morreu em Leopoldina (Minas Gerais) a 12 de novembro de 1914. Em 1907, bacharelou-se em Letras, na Faculdade do Recife,
Augusto dos Anjos publicou quase toda a sua obra poética no livro "Eu", que saiu em 1912. O livro foi depois enriquecido com outras poesias esparsas do autor e tem sido publicado em diversas edições,




 

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera - 
Foi tua companheira inseparável! 
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
 Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!











Referencias :
 


http://www.revista.agulha.nom.br/al.html#terceira
http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/AugustodosAnjos/Eu.htm 
http://www.brasilescola.com/literatura/cruz-sousa.htm